Nos armários da vida,
Procurei sessões especiais.
Vi que obras grandiosas escondem rascunhos,
Rabiscos intensos,
Loucuras de um menino...
De capas translúcidas,
Livros que não existem,
Aconselhemos-nos: “-Bibliotecai os ares desta vida!”
Possibilidades!
E mesmo estando de olhos abertos, não enxerguei o que queria;
Procurei sinais de sabedoria em cada página,
E em todas elas só branco, difundindo-se à vontade.
Então brotaram desejos de invadir tal limpidez,
Pontilhei versos em grafite,
Rotulei crônicas de mim,
Lapi(s)dei a minh’alma, meu dom de viver e ver...
E escrever com voracidade essa história de amor entre as letras e eu.
Pronto!
Saciado de registros; lembranças de infância, saúde, saudades...
Sonhei destinos, dons...
Distingui explosões de sentimentos;
Dinamites, diamantes...
Gritei sinônimos de vontade, audácia.
E poemas cantei, e contei, e “Quintaneei” a vida e suas lutas.
Formulando momentos,
Esconderijos do tempo...
Mudei meu destino,
Abri portas e caminhei sozinho,
Só eu e os meus retratos,
Registros...
Canções de muito longe...

